Férias com vista para a Terra

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Review
Focus
GALACTIC SUITE
(Portugal)

FÉRIAS COM VISTA PARA A TERRA

Um novo destino turístico está para chegar. Trata-se do próprio Espaço – um lugar que muitos ambicionam visitar e vão poder fazê-lo dentro de pouco tempo… com recurso a “algum” dinheiro.

O Mundo é um lugar enorme, cheio de sítios absolutamente fantásticos para uma visita prolongada, onde se pode desfrutar de prazeres como uma boa comida, uma bebida afrodisíaca, uma praia com conchas e onde o mar se confunde com o céu pela sua transparência. Contudo, parece que nos começámos a fartar de estar sempre aqui fechados, num mundo cada vez mais aborrecido e que já se torna repetitivo. O alargamento do conceito de turismo foi uma necessidade que nos invadiu e que nos vai levar até ao Espaço.
O sonho que muitos de nós temos pode vir a ser uma realidade dentro de muito pouco tempo, pois, apesar da NASA estar a programar a construção de uma base na Lua em 2020, existem algumas empresas privadas que pretendem fazer viagens espaciais turísticas (que incluem estadia numa estação espacial privada) dentro de dois anos. Estas empresas (duas) têm diferentes nacionalidades uma é americana (Bigelow Aerospace) e outra está sedeada em Espanha (Galactic Suite). A Bigelow Aerospace foi a primeira a avançar com uma proposta concreta, onde se comprometeu a colocar os primeiros turistas fora da atmosfera em 2012, mas viu-se obrigada a adiantar repentinamente o prazo para 2010, pois a empresa catalã avançou com um prazo semelhante. Contudo, a companhia americana tem um grande peso nas mãos a redução do prazo implica um sucesso total na missão, já que o lançamento de uma nave-teste foi cancelado. Que responsabilidade…
Na verdade, este tipo de negócio já não é novo. Seres humanos (com contas bancárias bem avultadas) já tiveram o prazer de estar em órbita durante algum tempo, mas o projecto não tinha o mesmo calibre do de estas duas empresas. Neste caso, o trabalho desenvolvido pelas companhias Space Adventures e Virgin Galactic merece um especial destaque, juntamente com os seus aviões comerciais SpaceShip One e Two, respectivamente. O SpaceShip One foi o primeiro aparelho privado a realizar voos para lá da atmosfera terrestre, em 2004, e o SpaceShip Two será o aparelho utilizado (em 2010) para pequenas visitas ao Espaço, que permitirão aos passageiros um breve contacto com o lado menos acessível do universo.

Num olhar comparativo entre a Bigelow Aerospace e a Galactic Suite, a primeira leva já um certo avanço tecnológico e prático em 2006 e 2007, lançou duas naves, a Genesis I e a Genesis II, que serviram como indicadores e possibilitaram alguma análise sobre o equipamento. Apesar da NASA não se sentir muito seduzida com estes aparelhos (a grande inovação prende-se com o seu formato em forma de globo quando está no ar), a empresa considerou que o equipamento reagiu muito bem às condições espaciais, mas também não negou a existência de alguns problemas que teriam de ser ultrapassados – os motores das naves tiveram de ser demasiadas vezes reiniciados e a justificação prendeu-se com o facto de serem pouco resistentes às partículas provenientes do Sol.
Falemos agora na grande novidade de toda esta aventura – as estâncias espaciais turísticas. O nome é absolutamente correcto, já que o objectivo é dar a quem paga o maior conforto possível (afinal, não deixa de ser turismo). No caso da Bigelow, a sua estância será baptizada com o nome de Sundancer e as instalações albergarão, numa primeira fase, apenas três tripulantes. Mas os anos trarão a expansão, o que se traduz na vontade de ter 800 tripulantes por volta de 2020 que, segundo o empresário Robert Bigelow, não precisam de ser todos turistas, ou seja, os astronautas oficiais das agências espaciais são também futuros convidados. A Galactic Suite vai edificar a sua estância tendo como base os meios convencionais, ou seja, fará uma aposta num trabalho mais arquitectónico, para que os turistas se sintam mais familiarizados com todo o processo. Este conforto vai custar qualquer coisa como três milhões de euros, onde já estão incluídos os dois meses de treino que os turistas terão de ter. O arquitecto responsável, Xavier Claramunt, não indica os custos totais que o processo envolve, mas acrescenta que estes turistas serão pioneiros de uma nova geração (e já existem diversas reservas).
A exploração lunar continua a ser uma meta para a NASA, que pretende, em 2020, fazer regressar o Homem à Lua, desta vez por mais tempo, aproveitando os seus recursos e a energia solar para enfrentar a prolongada noite lunar. O programa Centennial Challenges é uma promoção da agência para descobrir nova tecnologia que lhe possa ser útil, ao mesmo tempo que a mantém sempre actual. Por exemplo, as luvas fabricadas pelo engenheiro Peter Homer foram aproveitadas, pois são bastante resistentes e o material é simples e barato.

Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanida de foi o lema com que ficou conheci da a viagem do Homem à Lua em 1969. A curiosidade do Homem parece não ter fim e, já que assim é, continua a dar grandes passos para lá do que conhece. E já um conhecido filme de desenhos animados dizia Para o infinito e mais além!.